Por que fundei a Encantalar: o problema que ninguém estava resolvendo
A história da Encantalar contada pela fundadora Val Portela. Da La Casa Jardim ao rebrand de 2021, e o problema que transformou paisagismo permanente em alternativa séria pra escritórios brasileiros.

Sou a Val. Em 2020 entrei como gestora de uma loja de decoração em Pinheiros — a La Casa Jardim. Vasos, cadeiras, peças de decoração, alguns arranjos discretos no meio. Cliente atrás de cliente, residência e empresa.
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Montar meu projetoFoi nessa fase que vi o problema que me fez fundar a Encantalar.
O padrão que se repetia
Em residência, planta natural funcionava. Cliente cuidava. Tinha luz boa, paciência, jardineiro de fim de semana. Quando a planta morria, era percebida como evento isolado.
Em escritório e em clínica, era outro filme. A gente vendia o vaso, montava o ambiente, o cliente ia embora feliz. Voltava 6 meses depois pra outra venda e era o seguinte cenário: árvore amarelada, jardineiro que parou de aparecer, equipe brava com folha caindo em cima de papelada importante, dono envergonhado que prefere chamar reunião em café.
Aconteceu vezes demais pra ser coincidência. Era um problema estrutural: planta natural não combinava com a operação típica de escritório no Brasil.
A causa era simples quando parava pra pensar: ar-condicionado central rodando 10h por dia resseca folha. Empresa não tem jardineiro fixo. Equipe não rega. Folha cai no piso. Cliente importante chega na semana errada.
E o efeito visual de planta meio morta era pior do que não ter planta.
A primeira tentativa de resposta
Comecei a procurar alternativas pros clientes da loja. Plantas artificiais existiam, mas o que estava no mercado de massa era basicamente plástico brilhante. Nada que passasse no teste de olhar de perto.
Conheci um fornecedor em Holambra que fazia peças com folha em silicone fundido, nervura pintada à mão, caule com casca real. Comprei algumas amostras pra testar. Levei pra casa. Em 3 dias parei de notar que era artificial.
Foi nesse momento que vi a janela. Existia categoria de produto séria. Não existia ninguém no Brasil fazendo curadoria séria pra ambiente corporativo.
O rebrand: da La Casa Jardim pra Encantalar
Em 2021 comprei a loja e fiz o rebrand. A La Casa Jardim virou Encantalar — porque era exatamente isso que a gente queria fazer: encantar casa e empresa, com paisagismo que dura.
Os primeiros clientes corporate de paisagismo permanente vieram por indicação direta de quem confiava na minha leitura de espaço, vinda dos anos atendendo na loja.
Aprendi quase tudo nesses primeiros projetos:
- Curadoria importa mais que peça. Planta isolada num vaso continua parecendo planta artificial. Conjunto com escala, cor e textura coordenadas, não.
- Escala é metade da batalha. Pé direito 4m com árvore de 1m some.
- Iluminação dedicada faz diferença que parece desproporcional. Spot na peça muda 50% da percepção.
- Cliente que entende paga pela diferença. Cliente que não entende vai comprar planta solta de e-commerce. Tá tudo bem. Não é minha cliente.
O que mudou
Hoje a Encantalar atende todo o Brasil, com showroom em Pinheiros, time pequeno mas calibrado, e projetos consistentes com clientes corporate e residenciais de alto padrão que confiam na curadoria.
Algumas coisas mudaram bastante:
A categoria amadureceu. O que era plástico brilhante alguns anos atrás hoje é peça séria, com fornecedores no Brasil e fora, com diferentes níveis de qualidade. Mercado profissionalizou.
Cliente ficou mais informado. Hoje cliente B2B chega na primeira conversa já sabendo o vocabulário. Pergunta sobre garantia, durabilidade, manutenção. Cliente bom é cliente exigente.
Permanente virou parte do design corporativo sério. Era curiosidade há alguns anos. Hoje é categoria estabelecida que arquitetos especificam no projeto, junto com piso, iluminação e mobiliário.
Eu virei outra coisa. Em 2020 era gestora de loja. Hoje sou fundadora de uma empresa com time, processo, curadoria de mais de 200 referências e mais de uma centena de projetos entregues. Ainda atendo cada cliente B2B importante pessoalmente — porque é onde meu trabalho vale mais. Mas a operação cresceu.
O que não mudou
A coisa central que me fez começar continua igual: empresa boa perde cliente porque o ambiente não combina com a entrega.
Anos depois, ainda vejo isso toda semana. Escritório de advocacia que cobra fee de R$ 40k com recepção de coworking genérico. Clínica de estética premium que cobra procedimento alto com sala de espera de plástico ergonômico. Hotel boutique com lobby que parece pousada de beira de estrada.
Não é que esses lugares estejam errados. É que o ambiente não está fazendo o trabalho de calibrar a expectativa. Cliente entra preparado pra negociar pra baixo. Empresa boa fica deixando dinheiro na mesa silenciosamente.
A Encantalar existe pra mudar isso. Pra cada cliente que entra, é uma pequena correção no ambiente que faz o serviço ser percebido pelo que ele vale.
Como conduzo o trabalho hoje
Algumas coisas que mantenho desde o começo:
- Atendo cada cliente B2B importante pessoalmente. Não passo pra time interno antes de ter conversado e entendido o espaço.
- Visita gratuita sem compromisso. Você abre a porta, eu olho com calma, e proponho. Você decide depois.
- Sem catálogo na primeira conversa. Catálogo é pra cliente que tá comprando peça avulsa. Quem busca curadoria recebe diagnóstico, não folheto.
- Honestidade sobre o que não vendemos. Tem espaço onde planta natural funciona melhor. Falamos isso.
- Garantia de 1 ano e ralação prática se algo der errado. A gente tá ali e não vai sumir.
Pro próximo cliente
Se você chegou aqui é provável que esteja pensando em algum espaço seu. Recepção, sala de reunião, clínica, hotel, restaurante, ou uma residência de alto padrão. Algum lugar que não está fazendo o trabalho que poderia fazer.
A primeira conversa é simples. Manda foto pra mim no WhatsApp — costumo responder em algumas horas. A gente conversa, eu olho fotos, e em 1-2 dias úteis te mando direção. Sem compromisso, sem proposta antes da hora.
Esse foi o jeito desde a La Casa Jardim. Continua sendo.
Dúvidas sobre o tema

Val Portela
Desde 2020 cuidando de espaços com paisagismo. Sócia-fundadora da Encantalar.
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